Depoimento: “A Igreja somos nós”
Lembro-me bem dos passeios de carro, com meus pais, pela orla do Rio. Penso que, a partir dos 10 anos, passei a perceber que não olhava as mulheres de biquíni, mas para os homens de sunga. Toda a minha formação ocorreu num colégio religioso que venerava a figura feminina, embora fosse somente para meninos. Minha experiência religiosa, em todo este período, foi muito forte e determinante na minha vida. Nosso principal orientador era um religioso sério, firme e carismático. O afeto entre os colegas era natural e foram formados laços de amizade fundamentais para meu crescimento. Este conjunto foi importante para me ajudar a viver a vida com alegria, mas serviu, também, como cortina de fumaça para aceitar minha sexualidade. Reconheço, hoje, que a figura da mulher considerada como ser inatingível, aliado a diversos complexos de adolescência e a homossexualidade rejeitada como um mundo desconhecido; levaram-me, pouco a pouco, a uma postura assexuada. Não havia procura de prazer nem com mulheres ou homens fisicamente, nem sequer pela masturbação. Vivia com minhas amizades e temia qualquer outro tipo de relacionamento afetivo. Minha religiosidade estava presente no grupo e no meu silêncio. Meus pais cuidavam de mim generosamente, e não abordavam qualquer questão relacionada à minha sexualidade. Casei virgem, de mulher e homem, aos 24 anos. Admirava minha esposa. Ficamos casados quase sete anos e tivemos um filho. Durante este tempo...
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