9. É correto grupos cristãos se oporem à promoção da igualdade de gênero e de orientação sexual?
Os planos governamentais de educação básica no Brasil, em sua primeira versão, propunham a promoção da igualdade de “gênero e orientação sexual”. Esta igualdade é defendida pelos que querem ampliar os direitos da população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais); e recusada por outros, entre os quais estão segmentos religiosos cristãos alegando imposição de ideologia de gênero. De fato, o papa Francisco alertou contra formas de uma ideologia chamada gender (gênero), que negariam a diferença e a reciprocidade natural entre homem e mulher, preveriam uma sociedade sem diferenças de sexo, e promoveriam uma identidade pessoal e uma intimidade afetiva desvinculadas da diversidade biológica entre homem e mulher. A identidade humana ficaria à mercê de uma opção individualista. O sexo biológico (sex) e função sociocultural do sexo (gender) podem se distinguir, mas não se separar (Amoris Laetitia, n. 56). Este alerta, porém, não significa necessariamente uma condenação dos estudos de gênero e de tudo o que lhes diz respeito. Tais estudos são bastante heterogêneos e não há uma teoria unificadora e abrangente. Em geral, evidenciam o papel da cultura e das estruturas sociais na configuração e na relação entre os gêneros, questionam a subalternidade de um gênero a outro, e, nas últimas décadas, contemplam a realidade de pessoas LGBT. Há pesquisas de neurociência concluindo que o sexo biológico não se reduz à genitália e à anatomia. É o cérebro...
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