Autor: Equipe Diversidade Católica

Um pequeno erro no começo torna-se muito maior ao final: rumos da discussão eclesial sobre a questão gay

Reproduzimos aqui esta palestra ministrada por nosso amigo Pe. James Alison no XXXVII Congresso de Teologia Moral, São Paulo 2-5 de setembro de 2013 (via). É longo, mas vale muito a pena deixar separado para uma leitura com calma e reflexão. Outra opção é baixar o pdf, aqui.  Uma versão deste texto, com aparato científico, está incluída no livro que reúne os textos do XXXVII Congresso de Teologia Moral, publicado em setembro de 2013: Zacharias e Pessini (Eds.). ÉTICA TEOLÓGICA E JUVENTUDES: interpelações recíprocas – diversidade sexual – drogas – violência – redes sociais virtuais. Aparecida: Santuário 2013. i. introdução Minhas irmãs, meus irmãos, agradeço enormemente o convite para participar deste congresso, e fico muito comovido por vocês terem me oferecido o uso da palavra no mesmo. Fico particularmente honrado com o convite já que vocês são teólogos moralistas com especialidades e áreas de perícia muito específicas. A minha formação, por contraste, é de teólogo sistemático. Tenho-me dedicado nos últimos anos à elaboração de um novo paradigma para a evangelização, tendo criado um curso de introdução à fé cristã para adultos. Meu envolvimento, então, com a matéria sobre a qual vocês pedem a minha intervenção tem sido eclesial, espiritual e pessoal: uma questão que incide na vivência de um cristianismo básico no mundo de hoje antes do que uma discussão moral. Necessariamente, então, a minha abordagem do assunto vai faltar muito em termos...

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Depoimento: “Deus sabe como o amo, e Ele a mim”

Nossa amiga Rosilene foi uma das pessoas que compartilharam conosco, no evento aberto que realizamos em 3//2012, intitulado “‘O amor de Cristo nos uniu’: gays cristãos na Igreja Católica”, um pouco de sua história e vivência como lésbica e católica. Aproveitamos esta oportunidade para dividir suas reflexões também com vocês. Tenho 48 anos, sou cristã católica praticante e gay (talvez seja o contrário), mas nem sempre pude me afirmar assim. Desde bem pequena aprendi com meu pai a rezar. Me ensinou o Pai Nosso (que ensinava, naquela época, a rezar “Padre nosso que estais no céu…”), Ave Maria, Oração do Anjo da Guarda… Foi ele quem iniciou a minha formação católica. Aos três anos, como eu já sabia ler e escrever iniciei meus estudos na escola São José, na Vila Militar, no Rio de Janeiro, uma escola católica. Era um ambiente afetuoso e de muita compreensão. As irmãs incentivavam a minha precocidade estudantil e fertilizavam a minha relação com Deus. Foi um tempo excelente! Aos seis anos, com ardente desejo de comungar (mesmo ainda não tendo iniciado o catecismo), aproveitei a distração do meu pai, na missa, na hora da comunhão, e corri como um raio para frente do padre, que gentilmente me deu a comunhão. Nossa! Sinceramente eu senti um estado de céu que nunca mais na vida esquecerei. Tudo transcorria muito bem. Cresci, e as mudanças comuns ocorriam...

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Memória: evento “‘O Amor de Cristo nos uniu’: Gays cristãos na Igreja Católica” (2012)

Realizamos, em 3 de junho de 2012, um domingo, nosso primeiro evento aberto no Rio de Janeiro. Intitulado “‘O Amor de Cristo nos uniu’: Gays cristãos na Igreja Católica”, o objetivo do evento era refletirmos juntos sobre como viver a fé cristã e ser gay. A programação incluiu uma mesa-redonda e alguns depoimentos de pessoas cristãs LGBT, que compartilharam suas histórias pessoais. O convite foi dirigido a tod@s, LGBT ou não, cristãos ou não, para conversarmos sobre as possibilidades de encontro e diálogo, a fim de nos enriquecermos e crescermos junt@s. A programação foi a seguinte: 14h Abertura: A história do Diversidade Católica, desde 2007 (Arnaldo Adnet e Valéria Wilke, do núcleo original de fundador@s do grupo) 14h30 Mesa-redonda: Fé cristã e diversidade sexual 1. “A verdade que emerge” (James Alison, padre católico, teólogo e escritor) 2. “Panorama bíblico sobre a homossexualidade” (Marcio Retamero, mestre em História Moderna/UFF e, à época, pastor da Igreja Presbiteriana da Praia de Botafogo e da Igreja da Comunidade Metropolitana Betel do RJ) 3. “Diversidade sexual e fé católica dentro de um Estado Laico” (Cristiana Serra, psicóloga e católica leiga) 16h30 Coffee break 16h45 Gay e cristão: depoimentos pessoais 17h45 Encerramento O evento aconteceu no Auditório do CCET da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro/UNIRIO – Av. Pasteur, 456 – Botafogo/Praia Vermelha. Veja o folheto que distribuímos com a programação e demais informações:...

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A militância de Jesus de Nazaré, o Cristo de todos

“Se calarem a voz dos profetas, as pedras falarão. Se fecharem uns poucos caminhos, mil trilhas nascerão… Muito tempo não dura a verdade, nestas margens estreitas demais, Deus criou o infinito pra vida ser sempre mais! É Jesus, este pão da igualdade, viemos pra comungar, com a luta do povo que quer ter voz, ter vez, lugar! Comungar é tornar-se um perigo, viemos pra incomodar! Com a fé e a união nossos passos, um dia, vão chegar!” (“Se calarem a voz dos profetas”, Antonio Cardoso) Uma porta aberta para a acolhida e a aceitação da diversidade da criação De modo freqüente estamos nos deparando com um dilema: nossa ação se reduziria à militância ou à não militância? Abaixo a militância? Viva a militância? Seria aqui o espaço de mais uma militância? Mas seria possível abrir mão aqui, no nosso espaço, de alguns aspectos presentes naquilo que entendemos por militância? O que é militar? Atuar em prol de algo que se crê provavelmente com a disciplina ou, pelo menos, com a atitude espartana, o protótipo de uma militia. Mas os espartanos já vão longe e, em nome do “sejamos criativos”, deixemos o cimento disciplinar e belicoso que aglomerava as milícias espartanas. Recordemos a atitude de um outro militante, ousamos assim chamá-lo, pois apaixonadamente defendeu até o fim o que e em quem acreditava: Jesus de Nazaré. Propomos, pois, a reflexão sobre...

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“Carta de um padre católico a um jovem homossexual”

Caríssimo, Que grande privilégio que é, ter a oportunidade de te escrever! Tanto mais que gostaria de saborear a palavra «tu», durante alguns momentos e pedir-te que ponderes sobre a novidade que isso representa, quão aberta é esta forma de trato. Quantas vezes já foste abordado pela palavra «tu», numa publicação católica? Não me refiro à palavra «tu» no sentido fraco, como quando um anúncio pergunta: «Já consideraste a vocação de seres padre ou freira?», porque estes anúncios não pretendem realmente significar o «tu». Querem, isso sim, significar «alguém que é como tu em todos os aspectos, mas que por acaso não é homossexual, ou que, pelo menos, é bom em escondê-lo». Normalmente, sempre que acontecem discussões acerca de temas envolvendo a homossexualidade, nas publicações católicas, o estilo passa rapidamente a ríspido e um misterioso «eles» aparece. Este «eles» parece habitar um planeta diferente do teu. Quem quer que fale acerca do «eles» está, de facto, noutro planeta, um onde uma estranha falta de oxigénio torna impossível usar pronomes como «eu», «tu», «nós». Se alguém começar a usar esses pronomes rapidamente ficas com a sensação que a única coisa que lhes dá a liberdade de procederem desse modo é o facto de serem heterossexuais e têm a honestidade suficiente de admitirem que não compreendem do que se trata. Podes ter tentado falar informalmente acerca do facto de seres homossexual...

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