Autor: Equipe Diversidade Católica

Memória: “‘Tua fé te salvou’: I Encontro Nacional de Católicos LGBT” (2014)

Realizamos o I Encontro Nacional de Católicos LGBT num sábado, dia 26 de julho, de 13h30 às 17h, na UNIRIO (Auditório Paulo Freire do Centro de Ciências Humanas e Sociais/CCHS: Av. Pasteur, 458, em Botafogo/Urca). Estivemos com nossos grupos-irmãos que se reúnem nas cidades de São Paulo (Grupo de Ação Pastoral da Diversidade), Brasília, Recife/Olinda (Pastoral da Diversidade – Pernambuco), Belo Horizonte, Curitiba (Diversidade Católica do Paraná – DCPR) e Ribeirão Preto (Diversidade Católica de Ribeirão Preto (SP) e Região – DCRP), além dos núcleos em formação em Itajaí (SC), Anápolis (GO) e Passos (MG), em uma tarde de encontro, partilha e troca de experiências das pessoas católicas LGBTs brasileiras: quem são, como vivem sua identidade religiosa, como sentem a comunidade da qual fazem parte e como se dá sua atuação através dos vários grupos leigos organizados. Aproveitamos ainda para celebrar um ano do evento que realizamos durante a JMJ 2013, “O Jovem Homossexual na Igreja: I Encontro de Relatos e Experiências” e fazer um balanço de nossa caminhada com a Igreja. Os representantes desses grupos aproveitamos a oportunidade para trocar ideias a respeito das dificuldades com que nos deparamos e possibilidades de ação em nosso trabalho pelos LGBT em geral e, especialmente, na Igreja Católica Romana. De imediato, já nasceram dois frutos do nosso encontro: a articulação da Rede Nacional de Grupos Católicos LGBT, composta pelos grupos lá representados e aberta aos...

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“Sim, somos gays e católicos!”

Linda a matéria que saiu no Portal Todavia com nossos queridos Murilo e Ed, membros do Diversidade Católica.  O batismo ainda pequeno, a catequese logo depois, a missa aos domingos na companhia de algum familiar, talvez até a participação em um grupo de jovens mais tarde e uma identidade religiosa é estruturada. Foi assim com Murilo Araújo, André Soares e Edilmar Alcântara, três rapazes que além de compartilhar da fé e de uma formação baseada no catolicismo, tiveram outra coisa em comum: precisaram lidar com suas condições sexuais dentro da religião. Se as heranças religiosas familiares de Murilo levaram aos seus primeiros passos na Igreja Católica, o gosto pela vivência cristã foi sendo desenvolvido em sua própria formação pessoal. Um ano antes do permitido, Murilo decidiu pedir a sua mãe para entrar na catequese e, ainda adolescente, sua missão no grupo de jovens já era uma realidade. “O que antes era um vínculo mais ligado à coisa da família, virou uma parte da minha vida mesmo. Até o meu amadurecimento para pensar a sociedade, a minha vida social e a minha forma de estar no mundo foram desenhadas pelo meu vínculo com a minha comunidade de fé e pela minha vivência religiosa. Isso é muito forte pra mim”, confessa. Para André, o caminho pela religião foi ainda mais intenso. Neto de católicos praticantes, ele chegou a se dedicar na missão de ser padre...

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Depoimento: “Por uma nova experiência de transformação”

Sempre acreditei que todos nós LGBTs estivéssemos ligados intrinsecamente por meio do sofrimento que enfrentamos em nosso processo de aceitação. Mas refletir sobre um texto me levou a perceber que descobrir o que realmente nos liga pode mudar nossa percepção de identidade e justiça. No dia 21 de fevereiro, a queridíssima companheira Ivone Pitta publicou em seu blog um texto tão bonito quanto instigante, cujo título é “Apenas um Aniversário” (aqui). Ao lê-lo, me identifiquei imediatamente com a história e decidi deixar um comentário breve acerca daquilo que eu havia percebido como pontos mais importantes. Mas senti que eu poderia colaborar um pouco mais e daí nasceu o presente texto, onde estendo as ideias que levantei a partir do relato de Ivone. Segue seu texto: “Há pouco mais de 20 anos conheci minha primeira namorada. Eu católica daquelas de sábado e domingo na igreja, homotransfóbica, tímida daquelas de ter vergonha da própria sombra, ela com o namorado, na festa de aniversário de uma amiga em comum. E o que seria apenas um aniversário como tantos outros, tornou-se um marco divisório em minha vida. Nos vimos logo após minha chegada, olhamos uma para a outra: olhos brilhantes, sorrisos rasgados. Havia algo diferente. Olhei pro céu e implorei para o deus no qual eu ainda acreditava que não fosse verdade aquilo que eu estava sentindo. Ela, mais corajosa e sem as...

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Depoimento de uma mãe: “Garotos e garotas lindas que só precisam ser amados…”

O autor deste emocionante depoimento (e, caso queira ler mais depoimentos, há uma série deles aqui) nos enviou, para compartilharmos com vocês, esta carta que lhe foi enviada por sua mãe. Que suas palavras possam inspirar outras famílias, e que possam alimentar nossas esperanças na caminhada. Hoje, 25 de junho de 2014, às 15:00h, hora da misericórdia, tive uma conversa muito sincera, tranquila e especial com o meu filho mais velho. Os amores da minha vida, na verdade, são dois: ele e seu irmão, as pérolas que Jesus me concedeu… Mas, nessas linhas, quero me expressar sobre a conversa que tive com o meu filho mais velho, de 23 anos. Entre sorrisos e lágrimas, ouvi o que há muito tempo esperava ouvir de sua boca. E com muito amor, carinho e compreensão, graças a Deus, pude acolher o que o meu filho tinha para me falar. Claro que o ajudei, pois para ele foi muito mais difícil, mas com toda delicadeza e cuidado, como sempre, ele me disse: “mainha, eu sou gay”. Hum… Olhei para aqueles olhinhos cheios de lágrimas e disse: “filho, mainha já sabe”, dei um forte abraço no meu João e disse-lhe: “você é o meu filho amado, aquele que Jesus com sua infinita misericórdia me deu. E eu sou a mãe mais feliz do mundo por ter você como filho. Filho que nunca me deu trabalho, e sim muitas alegrias”....

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Depoimento: “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância” (João 10,10)

Nosso querido amigo Pe. James Alison, teólogo e escritor, nos enviou no final de 2013 este emocionante depoimento, com a concordância do seu autor, para compartilharmos em nosso blog (e, caso queira ler mais depoimentos, há uma série deles aqui). Essa carta foi, para nós, um testemunho de fé a nos animar e nos encher de esperança para nossa caminhada. Caro James Alison, graça e paz! Sou filho de uma família católica, um tanto conservadora, pois são ligados ao movimento carismático. Meu avô era homossexual, casou-se com minha avó a pedido dos seus pais que, praticamente, combinaram tudo e o jogaram para casar-se com uma mulher, pois não queriam um filho gay. Naquela época, tudo era bem mais difícil. Meus avós tiveram três filhas (dentre elas, obviamente, a minha mãe). Os anos se passaram e os casos extraconjugais do meu avô começaram a aparecer. Minha avó, (para evitar o que considerava “um escândalo”) pediu o divórcio, deixando-o com sua irmã. Pouco tempo depois, ele se suicidou ingerindo “chumbinho”, veneno para ratos. E, assim, perdi o meu avô, homem de um coração gigantesco, mas que foi vítima de preconceitos internalizados historicamente. Aos 12 anos, descobri que também sou gay. Sentia-me atraído por outros garotos. Não sabia muito bem lidar com a situação. Eu tinha medo, Padre Alison. Tinha medo da minha família, do que as pessoas iriam pensar, do fantasma que era a história do meu avô....

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