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Seminário em São Paulo discute diversidade sexual à luz da fé

Aconteceu dias 1, 2 e 3 de junho de 2007 (sexta, sábado e domingo), na cidade de São Paulo, o “III Seminário de Inter-religiosidade e Diversidade Sexual”. Foram realizadas diversas mesas de debate sobre a questão das religiões e a diversidade sexual. Organizado pela Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual (CADS) da prefeitura paulistana, o seminário fez parte de uma série de eventos preparatórios para a parada gay da cidade.

O evento foi aberto por um culto ecumênico na sexta-feira à noite. Sábado pela manhã, houve a mesa de Catolicismo seguida daquela dedicada ao Protestantismo. À tarde, foi a vez das mesas de religiões Orientais e também das mesas de Candomblé e Umbanda, Espiritismo e Mística / Wicca. Domingo, a programação contou com as mesas de Judaísmo e de Cultura e Paz.

Os debates foram muito ricos em explicitar as aberturas, mais amplas ou ainda estreitas, para se pensar a questão da diversidade sexual à luz da fé e da doutrina de cada religião.

A mesa de catolicismo foi composta pelos professores: pe. Luís Corrêa Lima (PUC–Rio), Afonso Maria Ligório Soares (PUC–SP) e por Luiza Etsuko Tomita, com a mediação de Valéria Busin. Houve o cuidado em distinguir a postura atual do Magistério e as reações extremas que tal postura provoca. Mostrou-se aquilo que pode ser encontrado no próprio ensinamento magisterial e serve de elemento para a construção, por parte da Igreja que é todo o povo de Deus, de uma nova atitude frente à diversidade sexual. Falou-se também da importância de compreender a Igreja católica como uma realidade múltipla e diversa, e não reduzi-la a apenas uma instância, seja o Magistério, ou outra qualquer.

Na mesa do Protestantismo, estava presente para partilhar sua experiência o pastor Victor Orellana, da Igreja Acalanto, que acolhe amplamente a comunidade GLBTT; o pastor anglicano Justino Luiz, que trabalha em projeto também voltado ao público gay (Comunidade Cristã Nova Esperança) e o teólogo leigo luterano André Musskopf, cuja área de interesse é o desenvolvimento de uma teologia queer, ou seja, uma reflexão cristã que englobe também aquelas pessoas tradicionalmente à margem da sociedade e das igrejas.

Na mesa de judaísmo, estavam presentes os rabinos Henry Sobel, Alexandre Leone e a rabina Luciana Lederman. Leone e Lederman explicaram a postura do judaísmo conservativo, para o qual a tradição fundada na Lei de Moisés continua tendo valor e caráter normativo. No entanto, esta tradição não é unívoca e rígida. Ela tem muitas vozes distintas que não devem ser negligenciadas. A tradição precisa ser re-interpretada à luz do presente para conservar o seu valor. Só assim é possível pensar a inclusão de gays e lésbicas na comunidade dos fiéis judeus, bem como o acesso de mulheres ao rabinato.

Além da exposição dos debatedores, houve intensa participação do público em cada mesa e exibição de documentários relacionados ao tema. No encerramento do seminário, apresentação de danças de caráter religioso Wicca, africana, cigana, entre outras.