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8.Por que a Igreja se opõe à adoção por casais gays?

Na pergunta 7, que trata da pressão exercida pelo Magistério da Igreja sobre parlamentos contra leis favorecendo o reconhecimento dos direitos das pessoas GLBTT, há elementos importantes também para reflexão sobre adoção por casais gays.

A questão específica da adoção é uma das mais polêmicas e por meio da qual se pode perceber de forma muito clara o preconceito contra os gays. Inclusive aquele presente entre eles mesmos. É comum ver alguns homossexuais se posicionando contra a adoção.

Antes de discutir a validade da adoção por casais homossexuais, é importante frisar que esta já é uma realidade no Brasil. Há muitos filhos e filhas de homossexuais. Na imensa maioria das vezes, ainda que não se esconda a opção sexual, quem adota o faz como solteiro. Mas já há casos de adoção realizadas legalmente por casais. Destacamos o caso da menina Teodora, adotada por um casal gay no interior de São Paulo, e que consta como filha de seus dois pais na certidão.

Ou seja, uma lei de adoção por parte de gays, ponto polêmico no Congresso, que nem entrou no projeto da então Deputada Marta Suplicy, viria somente dar respaldo legal a situação já existente.

A oposição à adoção gay é um bom termômetro em relação à homofobia. Quem defende ser prejudicial à criança, muitas vezes o faz baseado em argumentos que se apóiam em bases falsas sobre a homossexualidade. Por exemplo, a idéia que um casal gay não possuiria estabilidade suficiente para educar alguém porque os relacionamentos gays seriam efêmeros, rápidos, não perdurariam.

Pesquisa feita nos Estados Unidos (infelizmente não há similar no Brasil) comparou a duração de relações homoafetivas com de heterossexuais e concluiu não haver diferenças significativas.

Quem pode advogar hoje casamentos heterossexuais duradouros como princípio básico?

Outra compreensão errônea é uma certa “devassidão” que existiria no universo gay e que tornaria o homossexual incapaz para dar a criança uma educação com valores éticos.

É verdade que a prática de sexo consensual entre os gays é bastante comum, mas não há como afirmar que seja mais freqüente que entre heterossexuais. Não há como afirmar, por exemplo, que homens gays façam sexo com mais parceiros do que homens heterossexuais com parceiras. Além do mais, há inúmeros homossexuais que não se enquadram nesta visão. Generalizar é sempre um erro.

Leigos no assunto apropriam-se de um tema da psicologia: diz-se, como argumento inatacável, que uma criança precisa de uma figura paterna e outra materna na sua educação, situação o que não ocorreria em casal de mesmo sexo.

A psicologia jamais afirma que figuras paternas e maternas devam ser necessariamente um pai e uma mãe. Ou seja, as figuras masculina e feminina fundamentais na formação da criança não são necessariamente os pais biológicos.

Quantas vezes, por razões distintas, em famílias de casais heterossexuais, a figura de referência masculina ou feminina não corresponde aos pais biológicos? É a criança que “escolhe” estas figuras.

Ser um casal gay não significa se relacionar unicamente em termos de amizade e família com indivíduos do mesmo sexo.

Além das condições materiais para se arcar de forma responsável com a educação de uma criança, é fundamental a maturidade afetiva, emocional. O quanto de amor e apoio se pode dar para que a criança se sita segura, desenvolva sua auto-estima e esteja preparada para enfrentar os desafios da vida. Estes pré-requisitos não são exclusivos de uma orientação sexual, não obedecem a pressupostos estabelecidos a partir de critério impostos.

Uma outra resistência provém da impressão de que a orientação sexual dos pais pode ser determinante para a dos filhos: a adoção por casais gays resultaria em filhos também homossexuais. Não há fundamento nisso. O que uma educação mais ou menos liberal pode provocar é uma maior aceitação ou resistência da própria orientação ou da orientação sexual de outros.

Para um filho de casal conservador, a descoberta da homossexualidade pode ser mais conflitiva do que para alguém que tenha pais mais liberais, independente da orientação sexual destes. Dizer que a orientação sexual dos pais influencia determinantemente a dos filhos é contra a própria experiência. A imensa maioria dos gays são filhos de heterossexuais.