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3.O católico gay que mantenha um relacionamento está
em pecado?
Alguns documentos da Igreja classificam os atos homossexuais como “intrinsecamente desordenados”. Importante frisar que, de acordo com a doutrina, “desordem” é uma classificação insuficiente para determinar o pecado.
Pode parecer estranho à primeira vista, mas há nuances que distinguem os conceitos de “desordenado, errado, mau” e “pecado”.
A Teologia Moral católica chama de pecado a circunstância que reúna três elementos: matéria grave, liberdade na ação e consciência de que aquilo é pecado. Só a junção dos três elementos caracteriza pecado grave, segundo a Igreja.
O Concílio Vaticano II ensina: “Pela fidelidade à voz da consciência, os cristãos estão unidos aos demais homens, no dever de buscar a verdade e de nela resolver tantos problemas morais que surgem na vida individual e social” (Constituição Pastoral Gaudium et Spes 16). Quem orienta sua conduta na direção da verdade sincera e tem uma consciência bem formada deve, então, seguir a voz de sua consciência. É o que a Igreja espera de todos os católicos.
Muitos católicos gays simplesmente não reconhecem suas vidas e seus relacionamentos na forma “desordenada” de que falam alguns documentos. Por isso, como diz o texto conciliar mencionado no parágrafo anterior, não podem ir contra a sua consciência se esta não os acusa de estar em pecado.
A situação pode gerar muita insegurança em algumas pessoas de fé. Mas é de se questionar se tal insegurança não seria fruto de certo infantilismo espiritual que tem o Magistério como instância substituta da própria consciência: uma espécie de “Super-ego”. O Magistério não pode, nem se pretende, substituto da consciência dos católicos.
Confrontar-se com uma consciência bem formada e agir em conformidade a ela. Estas são as características de um cristão “maior de idade” segundo Karl Rahner, um dos maiores teólogos católicos do século XX, perito do Concílio Vaticano II. Disse Rahner: “Mas, em última instância (o cristão) terá que perguntar-se perante Deus e sua consciência, sem que seu espírito lúcido se deixe subornar, a partir de uma consciência limpa e, naturalmente, através de todos os meios que dispõe nestes casos um homem e um cristão, qual é a sua convicção pessoal e sua decisão nesse caso concreto” (RAHNER, K. Artigo “ El Cristiano Mayor de Edad” ).
Com relação específica às uniões gays, padre Jan Visser, um dos grandes moralistas católicos da atualidade, afirmou: “Quando alguém está lidando com pessoas que são profundamente homossexuais que estarão em sérios problemas pessoais e talvez sociais, a não ser que eles se mantenham em uma parceria ao longo da sua vida homossexual, essa pessoa que as assiste pode recomendar-lhes que procurem tal parceria, e aceitar este relacionamento como o melhor que pode ser realizado na situação atual.”
Importante mencionar que Visser trabalhou na equipe que compôs o documento Declaração sobre algumas questões de Ética Sexual , de 1975, que faz uma avaliação negativa da homossexualidade. Posteriormente, como vimos na citação acima, ele admitiu poder haver uma diferente avaliação de acordo com casos concretos. |